A escrita como fuga

Não escrevo há séculos. Tenho andado tão absorvida nas minhas novas prioridades que não tenho escrito nada. Não me consigo obrigar. A escrita é um escape, um desabafo espontâneo, que sai no momento e me afaga a alma toda. Tenho sentido necessidade, mas falta-me a coragem de arrumar tudo no lugar, de estipular prioridades e de me concentrar no que é mesmo importante. A minha cabeça anda a mil. Mais: a três mil à hora. Se escrever me liberta das prisões que crio em mim, dos medos (tantas vezes infundados) e das minhas paranóias, eis que dou por mim sem inspiração, sem aquele bichinho devorador que normalmente me impulsiona a deitar cá para fora o que sinto. A verdade é que são coisas de mais a acontecer e nem sempre consigo discernir o essencial do acessório. Ganhei muito nestes últimos tempos. Tanto que é difícil explicar sem ser óbvia e directa, mas também aprendi a ser mais madura e adulta e, às vezes, custa e muito.

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