I am back

Estou de volta ao meu ‘mundo a girar’. Volvidos tantos meses repletos de novidades, eis que surge em mim novamente a vontade de escrever. Dizer adeus aos ‘fragmentos’ e deixar neles pedaços inteiros de mim. E voltar com a convicção e vontade de relatar as peripécias da minha vida e do que me vai na alma e nos oceanos repletos de ondas.

Maria

É maravilhosa a sensação de ter a Maria a crescer dentro de mim. Sentir pequenos movimentos, alimentar-me a pensar nela, fazer tudo em função desta pequena existência é algo profundamente apaziguador. Nunca pensei que estar neste estado me fizesse ver a vida com tamanha lucidez. Sinto que tudo está a mudar. Sobretudo em mim. Não sou de fitas ou de caprichos só porque estou grávida, sempre fui mais ou menos mimada e não tenho qualquer pudor em afirmá-lo. Continuo a ser. Talvez um pouco mais agora, mas também sou muito atenciosa com aqueles que amo e fazem parte da minha vida. Se não tivesse mimos, dificilmente conseguiria dá-los aos que me rodeiam. Por isso acho que uma coisa equilibra a outra. Hoje vou fazer um exame muito importante e por isso estou meio nervosa. É certo que não me tenho refugiado na escrita, o que nem parece meu, mas tenho andado com a cabeça a mil. Se escrever é algo que faz parte de mim, agora refugio-me em outras, tantas, coisas e ignoro as palavras que jorram do meu cérebro e naquela impulsividade de escrever de outrora. Todavia, agora senti uma grande necessidade de escrever qualquer coisa e por isso vim até aqui. Estou um pouco preocupada, mas as amigas mais experientes dizem que faz parte. Qualquer mami preocupa-se com a sua cria e eu, claro, não sou excepção. Estou com uns friozinhos na barriga mas que sei vão passar mal acabe a eco morfológica. Depois prometo não me ausentar tanto.

Porque sentir saudades faz parte

Já passou um mês que estou a viver no Porto e já passaram 17 semanas que vives em mim. Hoje, pela primeira vez, senti saudades, senti uma nostalgia imensa e vontade de falar com amigas que não tenho visto, com os meus pais. Sei que estou perto daqueles que mais amo e que três horas de distância se dissipam no tempo, mas nem sempre vou ao Sul e tenho aqui muitas coisas para organizar. Estas dezassete semanas já se começam a notar. Hoje comprei as minhas primeiras calças de pré-mãma, ainda mínimas (tamanho 36) mas com uma barriguita considerável. São super confortáveis e fashion – espero que durem até ao Natal. Estou quase a fazer anos, altura em que me sinto especialmente feliz e mais criança. É verdade, no auge dos meus 35 anos continuo a adorar fazer aniversários, festas e estar rodeada de mimos e de muito amor. Muitas vezes sinto-me abençoada e agradecida por tudo o que me está a acontecer e a distância é um mero pormenor porque o coração está muito quentinho em terras nortenhas.

Amor incondicional

Amo-te para lá de mim, para lá do imaginável. Quando descobri que existias em mim, o amor surgiu naturalmente e de forma tão intensa que é difícil explicar. Tinhas apenas dois centímetros e meio e pesavas 90 gramas. Ouvi o teu pequeno coração pela primeira vez e encheste os meus, nossos, olhos de lágrimas, de comoção, de alegria. “Tenho um feijãozinho dentro de mim! Que loucura de vida”, pensei eu. No início não é fácil. A tomada de consciência que uma grande, nova, etapa está prestes a começar, ou já começou há cerca de 9 semanas, é algo que perturba, assusta, mas cede uma responsabilidade brutal, inigualável a qualquer outra como seja acabar o mestrado ou mesmo arranjar um bom emprego. Não é comparável. É algo muito para além da vida, é outra vida, concebida com um amor intenso e tão verdadeiro como estas palavras que redijo. Todos os dias passam a ser diferentes, as prioridades mudam por completo e as preocupações de mãe surgem de imediato. Como é possível que um ser tão pequenino já gere tanta preocupação? As primeiras análises, as doenças congénitas, as cromossomáticas, a tua posição no útero, a amniocentese, tudo é motivo de uma enorme preocupação. A sensibilidade aguçada ao limite provoca os maiores estados de ansiedade, felicidade, euforia e insegurança. É tudo tão diferente. A acompanhar estas mudanças fantásticas várias amigas, poucas, as mais íntimas, souberam aconchegar-me, dar carinho e apoio. Tive o pai da criança que tem sido exemplar e nos mima até não haver amanhã e os meus pais, irmão e cunhada que estão sempre comigo, incondicionalmente e foram os primeiros a saber da novidade e a gritar de euforia. Esta sim é a felicidade e a concretização de uma vida. Sim, a capacidade de poder gerar uma vida e de ficar eternamente grata por isso é um milagre. Sinto isto como uma verdade indubitável, sinto isto com a mesma veracidade como sinto o amor que há em mim e vai continuar a haver para todo o sempre porque o nosso amor é incondicional e unido para lá da minha, nossa, vida. Amo-te bebé da minha vida!

Armas e bagagens

Não gosto de despedidas, nunca gostei. Comovem-me. Muito. Mas hoje resolvi ir dar um beijinho às pessoas que ultimamente mais me têm apoiado, acompanhado nesta fase e fiquei feliz. Fiquei imensamente agradecida pela comoção e pela amizade que vi nos olhos delas. Por estar a mudar de vida, por estar numa nova fase de plena vida e comunhão e por estar feliz. Quando partilhei a boa nova vi como ficaram comovidas e não pude disfarçar a minha comoção também. Estou tão sensível. Meu Deus, mas eu sei, elas sabem, que estou sempre por perto, mas que tenho um novo desafio pela frente que não posso adiar. Está na hora. Chegou agora o momento e foi Deus quem me trilhou o destino. Muito obrigada. Tenho muita sorte em continuar a ter muito amor à minha volta e todos se preocuparem comigo. E tem sido fascinante a aproximação de tantas amigas nestes últimos meses. Não vou esquecer nunca. Desde Agosto que o apoio da Tânia e da Susaninha têm sido cruciais em tudo o que tenho passado, assim como da minha família e nunca me irei esquecer, nunca na vida. E vou terminar por aqui, senão as lágrimas teimam em cair e manchar o teclado.

A escrita como fuga

Não escrevo há séculos. Tenho andado tão absorvida nas minhas novas prioridades que não tenho escrito nada. Não me consigo obrigar. A escrita é um escape, um desabafo espontâneo, que sai no momento e me afaga a alma toda. Tenho sentido necessidade, mas falta-me a coragem de arrumar tudo no lugar, de estipular prioridades e de me concentrar no que é mesmo importante. A minha cabeça anda a mil. Mais: a três mil à hora. Se escrever me liberta das prisões que crio em mim, dos medos (tantas vezes infundados) e das minhas paranóias, eis que dou por mim sem inspiração, sem aquele bichinho devorador que normalmente me impulsiona a deitar cá para fora o que sinto. A verdade é que são coisas de mais a acontecer e nem sempre consigo discernir o essencial do acessório. Ganhei muito nestes últimos tempos. Tanto que é difícil explicar sem ser óbvia e directa, mas também aprendi a ser mais madura e adulta e, às vezes, custa e muito.

O encontro do acaso

Por vezes tenho a sensação que o meu mundo vive completamente à parte de tudo e todos. Fecho-me na minha concha, nos meus pensamentos, no que me vai acontecendo no dia-a-dia e sinto-me totalmente afastada dos outros, até daqueles que fazem parte da minha vida. E o meu mundo (e o teu) basta-me para ser feliz. Não o faço de propósito, não me afasto porque me apetece, mas dou por mim a viver só para o imaginário que me povoa. Filmes. Faço tantos, realizo outros e imagino tudo o que me faz feliz. Traço os meus objectivos a curto e a médio prazo. Constato que este ano foi o mais alucinado da minha vida. Tantas coisas aconteceram e de forma tão constante e com uma cadência ritmada. Chego à conclusão que nada acontece por acaso. Sinto que estou a crescer e que muitas vezes há quem não queira ver isso. Gostavam que continuasse pequenina, sem vontade própria ou sem esta mania de lutar por tudo aquilo que quero e acredito. Não sei ser de outra forma. Quando se sabe o que se quer, não há volta a dar. E eu já sei há muito tempo.